Há tempos penso em criar um blog sobre o suicídio.
Não porque eu seja obcecado pela ideia de tirar a própria vida, mas porque sei
que quem pensa em suicídio se sente muito só e normalmente se fecha em um
processo depressivo, afastando-se de amigos e parentes. Aquele que tem
pensamentos suicidas sente-se incompreendido, e um blog pode ser uma boa
alternativa para desabafar. Eu sei que não se pode subestimar uma boa conversa,
porque muitas vezes precisei que me mostrassem um caminho que eu não via.
O tema do suicídio é tabu. Mas não é por falarmos
menos sobre um assunto que ele deixa de existir. Quem pensa em suicídio é
levado a isso por fatos da realidade, fatos que a pessoa não consegue
assimilar, elaborar ou relevar. Mas, como é um assunto tabu, o isolamento é
reforçado, assim como o sentimento de incompreensão. Muitas vezes basta
conversar para ver as coisas de um outro ponto de vista.
Quem pensa em suicídio normalmente está preso a
ideias fixas baseadas em emoções negativas. Mas se uma ideia pode ser tão forte
a ponto de levar ao pensamento suicida, então isso quer dizer que talvez outra
ideia seja ainda mais forte. Quem acha que já tem a opinião formada sobre um assunto
não tem nada a perder se ouvir uma outra ideia.
Quanto a mim, eu tenho as minhas ideias sobre a
vida, mas sei ouvir e tentar pensar com a cabeça dos outros. Uma das minhas
ideias sobre o suicídio é que, ao contrário do que sente o suicida, trata-se de
uma alternativa bastante conservadora. Pois a opção radical é viver!
Muita gente pensa em suicídio, porque a ideia
surge naturalmente quando a vida parece sem saída. Muita gente pensa em se
matar mas supera os sentimentos negativos (mesmo que eles pareçam eternos), e
muita gente em algum momento pensou ou tentou se matar. Então, se pudermos
trocar experiências a respeito das dificuldades da vida, talvez possamos nos
convencer de que não estamos sozinhos no mundo e que, afinal, existem alternativas
mesmo quando acreditamos estar sem saída.
No meu caso, acho que conheço um pouco de cada
dificuldade de viver. A injustiça, a intolerância, o egoísmo, a desilusão. Ter
colocado uma arma na cabeça e ter tido uma pessoa próxima que se suicidou parecem
me habilitar ao assunto. E quem acha que pode conversar sobre isso provavelmente
também pode ser um bom ouvinte de qualquer dificuldade da vida.
Não quero convencer ninguém de que a vida é fácil,
até porque seria uma tarefa ingrata. A vida é dura mesmo, mas a briga pode ser
boa! Sim, estou convencido de que é preciso lutar pela vida, conquista-la palmo
a palmo a cada dia.
Ao escrever isso estou em um momento difícil. Mas
não posso aceitar racionalmente que a melhor alternativa ou a única seja
terminar com a minha vida. Penso que já passei por momentos difíceis que
pareciam sem saída, mas que de lá pra cá vivi muitas coisas que valeram a pena.
Muitas vezes é preciso esperar o tempo passar.
E porque nesses momentos eu gostaria de ter
encontrado um blog em que eu me sentisse em casa, em que eu pudesse desabafar,
ser ouvido e ouvir um conselho é que estou aqui, caso você queira aceitar o meu
convite. Quero falar pra você sobre os motivos para viver e sobre a nossa
capacidade para superar os problemas. Eu tenho um lema que é “quando as coisas
não estão dando certo, tente de outra forma”.
Este blog é sobre a vida! Seja bem vindo!
Praticamente, contei minhas vida nos dois blogs(rs). Não sei se vc já leu: minha família, pelo lado paterno, é de gente suicida.
ResponderExcluirEu acho que o suicida é outro ser na terra vítima de preconceito, intolerância e incompreensão. São taxados de covardes e até de egoístas...
E cada caso é um caso. Eu, diferentemente de muitos, acho que o suicida é corajoso, já que é preciso muita coragem para tirar sua própria vida, para fazer algo ruim para o seu próprio corpo.
E penso que se existir um Deus, ou qualquer força superior e haver vida após a morte, o suicida seria perdoado.
No meu caso, eu ainda tenho , por incrível que pareça, um pouco de instinto de vida, e me falta coragem de fazer o corte final.
O ator George Sanders, não sei se vc conhece, disse , quando mais jovem, para outro ator, David Niven, que se suicidaria quando envelhecesse. Cumpriu a promessa, aos 65 anos. Deixou uma carta, na qual dizia algo assim: Querido mundo, estou te deixando, pq estou entediado. Sinto que já vivi o suficiente. Lhe deixo com todos os aborrecimentos e lamaçais. Boa sorte!
Eustáquio,
Excluiré verdade que cada caso tem suas peculiaridades, mas as pessoas com características suicidas têm algumas em comum. Em geral eu prefiro não adjetivar nem como covardes nem como corajosas. O que parece ser evidente é que o suicida em geral sente-se sozinho no mundo, mas acho que há uma grande diferença entre sentir-se incompreendido e sofrer preconceito ou intolerância. Até porque me parece que o único julgamento de que são vítimas é o rótulo de egoístas, o que, embora possa ser relativizado, em muitos casos não pode ser desmentido, e tende a ser atribuído a um suicida depois da sua morte.
Eu não acho que o suicídio possa ser visto como um ato de coragem porque há muitas formas de se matar e porque a maioria dos casos são cometidos em momentos de desespero que limitam muito a capacidade de decidir, de modo que dificilmente se poderia dizer que foi uma decisão lúcida. Além disso, acho que o maior ato de coragem é continuar vivendo, com todas as dificuldades, reinventar-se e, se necessário, pedir ajuda. Pois também é preciso coragem pra pedir ajuda.
Sobre o "lamaçal do mundo" e sobre a vida após a morte vou deixar pra escrever em um post.
Agora, sobre a sua hipótese de o suicida ser perdoado, acho que isso depende da crença de cada um. No seu caso, o fato de você esperar o perdão pressupõe que você acredite em um Ser Superior a quem caberia perdoar em uma espécie de julgamento final. No meu caso, prefiro acreditar que o que nos favorece ou nos prejudica resulta dos nossos próprios atos, e que o suicídio apenas agrava os nossos tormentos. Como vê, eu acredito na existência da alma e, portanto, na vida após a morte. Mas não em inferno, punição ou julgamento final. Acho que a frase típica é "cada um vive o inferno e o paraíso próprios."
Quanto ao caso que você conta, acho que se quando jovem ele decidiu matar-se quando estivesse velho, isso só prova que ele acreditava que valia a pena viver, afinal 65 anos é uma vida e tanto!
Abraço!
Marcelo, eu, particularmente, não acredito haver vida após a morte. Mas, posso estar errado. Por isso, acredito que caso haja vida além e haja um Criador, o suicida possa ser perdoado. E digo a palavra "perdoado", simplesmente, pelo fato dos religiosos dizerem que a pior coisa que uma pessoa pode fazer , é tirar sua própria vida. O que acho um absurdo. Cada qual manda na sua vida. Pior é tirar a vida de outrem, não a de si próprio.
ResponderExcluirQuanto ao George Sanders, a velhice começa a partir dos 60 anos. Bem, ele ainda viveu mais 5... Talvez tenha insistido, tentado, mas viu que não valia a pena. Isso acontece.rs
Mas, meu caro, creio que ainda temos muito que conversar.
Um porém, estou te seguindo por e-mail. Mas seu último post, não apareceu no meu e-mail. Só consegui vir aqui, pelo link que vc deixou no meu blog.
Se me permite uma sugestão, coloque como segui-lo, assim como em outros blogs, como o meu.
Abraços!